Eu confesso: já fui fissurada em homem intelectual, desses que fazem o tipo Byron redivivo e vivem às voltas com angústias, deprês, intrincadas dúvidas existenciais e tormentos d’alma de modo geral. Trepar, que é bom, necas.
Quando muito, você tem que dar a maior sorte na agenda psicológica do sujeito para o encontro coincidir com a fase maníaca, isso se ele for bipolar. Tirou a dramaticidade e o charme da coisa toda e ficou parecendo nome de probleminha que eletricista resolve. Talvez não seja à toa que o eletrochoque tenha voltado à pauta fashion-científica para tratamento de algumas doenças psiquiátricas. Onde estávamos? Ah, sim: estávamos acendendo uma vela de sete dias pra sair com o moço exatamente quando bater um Neruda esperto naquele climão baudelairiano (e no original francês!) em que ele vive.
Pelo sim, pelo não, resolvi simplificar a minha existência. Quero apenas um homem tarado.
Less is more, mas é claro que não precisa de ser tão less assim, se é que me entendem. De esquerda ou de direita, tanto faz, desde que não seja troglodita de nenhum dos pólos. A Danuza Leão garante que os de esquerda são melhores de cama, mas nunca vi as estatísticas nem garanto a metodologia empregada pela pesquisa dela. Se bem que os de esquerda prometiam deitar e rolar quando fossem governo e, no entanto, se algum deles me perguntar "foi bom pra você?" (no caso, a eleição), será um momento constrangedor. Dá o que pensar, esse paralelo entre desempenho sexual e político, né mesmo? Continuando, é desejável que o candidato tenha todos os dentes ou, no mínimo, que a gente não repare jamais na repaginação do sorriso. Não precisa ser lindinho feito o Johnny Deep, mas é bom que seja ajeitado. E já que estou dispensando de ser poeta (o que não quer dizer que esteja recusando algum representante da categoria), pelo menos que tenha alguma perícia no manejo do idioma, porque ouvir “menas”, “poblema” e “a nível de” cai como uma bomba neutralizante sobre a libido. De resto, nada que um banho de loja e/ou um banho propriamente dito não resolvam.
Compliquei muito? Pode até ser, mas vale a pena procurar. A partir daquele momento “mágico” em que fica acertado que “oficialmente-tou-dando-pra-você-daqui-pra-frente”, nada melhor que homem tarado, daqueles que vivem enfiando a mão debaixo da saia da gente ou dando aquela encoxada na pia?





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